EMBRIOLOGIA: FILOGÊNESE E ONTOGÊNESE
Ricardo Ghelman
08.02.2021
Neste capítulo apresento uma perspectiva da visão do desenvolvimento humano à luz da filogênese: relacionando a formação do corpo humano do ser humano ao longo da evolução com a pergunta de quando podemos perceber o nascimento de um ser de um self, de um eu, ao longo do desenvolvimento filogenético e ontogenético.
Ontogenético significa o desenvolvimento do ser. Depois temos um estudo clássico relacionando a ontogênese e a filogênese , mas não entrarei nas questões históricas.
As grandes perguntas que trabalharmos são:
1) Como a vida se organiza?
2) Como as plantas se organizam?
3) Como os animais se organizam?
4) O que são características humanas?
Utilizaremos uma metodologia fenomenológica baseada em Goethe, que foi além de poeta, um grande pesquisador empirista. Caso queiram se aprofundar na metodologia de Goethe, recomendo o livro “Viagem à Itália” escrito em 1788.
Na prática essa metodologia tem quatro passos, o primeiro é percepção sensorial exata (descrever), depois a percepção das conceções e do desenvolvimento, ou seja, o processo temporal que permite que a gente julgue menos os fatos e perceba mais as interrelações e as metamorfoses, até chegar numa percepção mais de totalidade empática que é mais próxima de uma metodologia qualitativa e que a gente tenta chegar mais ao arquétipo. O quarto passo é a criação, percepção intuitiva, capacidade de criação baseada nos passos anteriores.
Primeiramente, então gostaria de trazer que no século XX é que se tem uma ideia muito diferente do que os tratados antigos falavam sobre tempo do universo.
Doppler foi um médico, cientista. Ele observou que na estação de trem quando os trens se aproximavam, eles passavam de um som grave para um som agudo e depois votavam ara um som grave. A partir desta inferência da mudança de frequência de ondas sonoras, inferido para as cores, olhando para o céu, se percebeu que as estrelas se aproximando da Terra diminuem o comprimento de onda então ficam mais vermelhas. Quando se afastam da Terra são azuis.
Então é muita mudança que a gente teve no século XX, existe toda a mudança de posição do centro do universo para um dos arcos da via láctea e o ser humano não está no centro da galáxia. O ser humano perdeu essa conexão com a centralidade. Essa não é a experiência sensorial que temos no dia a dia.
A teoria do Lemaitre de 1927, considera que a partir de campos eletromagnéticos foi criado o espaço o tempo e a luz, e a partir da fusão e da fissão das estrelas, oxigênio e a água e ocasionando então na produção da matéria.
Há 4 bilhões de anos começam a formar as rochas sedimentares, há 2,5 bilhões de anos, o início da vida na Terra.
A Era Farenozoica é quando começam as plantas e quando os dinossauros morrem, as flores nascem, depois dos dinossauros, e os seres humanos aparecem há 200.000 anos mais ou menos.
99% do universo é feito de hélio e hidrogênio.
Somos feitos de quê? Quatro átomos (C, O, H, N). Essa é uma questão bem interessante.
Como é que a vida integra o carbono, o oxigênio e o nitrogênio que é a base da vida.
Quando o nitrogênio entra na história? O nitrogênio entra quando existe uma parceria, um consórcio, entre as plantas e bactérias.
Toda a evolução, desde as plantas até o ser humano, depende dessa estrutura desses quatro anéis.
Quando entra o ferro, essa substância se chama hemoglobina.
Esse processo da mudança dos metais é muito interessante porque a estrutura proteica é exatamente idêntica entre as plantas e o sangue.
Uma ideia de polaridade fundamental no desenvolvimento humano é vida e inconsciência.
Então podemos dizer que ao longo da evolução temos a grande passagem do fim dos dinossauros e início das aves.
Em algumas tradições de etimologia, a palavra espírito nada mais é do que fogo interno, o calor interno. Espírito de Pirus, no sentido do calor. Então os dinossauros são o ápice de uma evolução, inauguram a capacidade de manter a temperatura quente. Depois que eles são extintos, temos as aves que perpetuam a capacidade do calor interno.
À medida que vamos evoluindo na filogênese, o grau de consciência vai aumentando e a capacidade de regeneração celular, vitalidade, vai diminuindo. Como se fosse uma barganha evolutiva que devemos viver, que cada um de nós vive, do ponto de vista ontogenético. Quando éramos crianças, nos cortávamos, a pele se regenerava muito rapidamente. Na meia vida, essa capacidade de regeneração diminui. Quando somos idosos, é muito difícil de regenerar. O mesmo ocorre com a consciência quando compara a criança, o adulto e o idoso? No caso da consciência é inversamente proporcional. Esse mesmo processo acontece também na evolução nos tecidos do corpo humano: onde tem regeneração não tem consciência; onde tem muita consciência não tem regeneração. Uma lei de oposição, porque não dá para manter os dois ao mesmo tempo.

Quando observamos o mundo vegetal, vemos que o crescimento das folhas começa pequeno e vai aumentando, chega um ápice no meio do caule e depois, em direção à flor, as folhas vão reduzindo. Então aqui fica exemplificado o mesmo princípio da metamorfose, onde tem mais vitalidade, a primeira metade da planta é diferente da segunda metade da planta, a parte superior, onde as olhas vão reduzindo para entrar num outro princípio. Esse outro princípio completamente diferente é o mundo das flores.
Como eu já comentei, as flores vieram depois das aves. Dinossauro nunca viu flor, elas não existiam. A flor é muito recente no planeta Terra. Todo esse processo de metamorfose, que cresce e depois vai diminuindo, é característico das plantas que colocam a flor. Como um outro campo de forças que se configura na parte superior da planta, não possui a característica de folha, não é bidirecional, não é verde. O mundo da flor é um mundo tridimensional, de cheiros, de perfumes, que são os feromônios. Cada flor tem um cheiro que se relaciona a um inseto, a um pássaro. A orquídea se liga aos besouros, com o cheiro. Então cada flor tem relação com o mundo animal.

Na semente temos uma paralização do tempo. Neste desenho, do lado esquerdo temos quatro tempos e do lado direito três dimensões do espaço. A raiz é o que eu chamo de tempo 1, ela cresce continuamente, vai envelhecendo. Já a folha nasce numa forma bem jovem, faz uma pausa, depois vem outro nó, vem outra forma de folha e então ela sofre metamorfose.
Já foi filmado que as primeiras folhas, da maioria das plantas, elas nascem como se fosse da forma de uma pontinha que depois recorta, depois ela cresce, e depois forma muitas vezes o pecíolo que é o cabinho. Então o que vemos embaixo, essas formas aqui embaixo das folhas são as formas que já passaram pelas fases recém-nascidos, jovem, adulto, idoso. Na medida que a planta vai crescendo, ela faz uma pausa e vem uma forma mais jovem, esse é o estado vegetativo que acontece nas folhas. Ela vai com pausas rejuvenescendo.
Quando chega na flor o tempo é sincronicidade, tudo junto, as sépalas, as pétalas, os estames, o pistilo a partir de um ponto só. Então isso vai criando a primeira dimensão do espaço que é a linha na raiz, a segunda dimensão do espaço que é o plano na folha e a terceira dimensão que é a flor. Portanto a flor não pertence ao mundo vegetal. A flor pertence ao mundo animal, porque ela tem um metabolismo oxidativo, não é perene, ela cai morre. Tem umas que duram horas só com as flores. Diferente das folhas que têm metabolismo anabólico de crescimento, completamente diferente.
Se alguém achar estranho esse processo em inversão do tempo, rejuvenescimento nas folhas, lembre o que acontece com o ser humano quando entra em estado vegetativo. Ou seja, quando dormimos, nós seres humanos, envelhecemos ou rejuvenescemos? Em termos biológicos rejuvenescemos, porque estamos em estado vegetativo. O mesmo ocorre quando mudamos da cidade grande para o mato, ir para lugares com muitas folhas, rejuvenescemos.

Estamos submetidos à um campo de forças que é o tempo da água. Dentro da água rejuvenescemos. Interessante pensar no nível de consciência que tem relação com a água, que tem a ver com as folhas. Quando tomamos banho, seja de banheira ou chuveiro, temos mil ideias, quando nos secamos esquecemos grande parte dela porque entramos em outro nível de consciência. O nível de consciência de imagens é mais sintético, no ambiente da água.
Quando olhamos para a flor dá para ver que a flor não é muito planta, ficamos bem animal, animamos as pessoas, ficamos animados com as flores. De uma forma não cultural, mas quase que intuitiva, quando uma criança quer apresentar afeto à outra criança, não dá raiz, não dá caule, não dá folha, dá flor. A flor revela algo.

Aproveito a sequência evolutiva como Lovelock, o físico da Nasa, que resgata a teoria dos gregos, a teoria Gaia. Essa teoria considera que o planeta terra possui quatro níveis de organização: abiótico, sem vida, que seria o mais ligado ao mineral. Os biomas, que são feitos de carboidratos, que é o mundo da vida. O mundo animado, que tem a ver com toda a construção da fauna do planeta terra, e o o mundo nitrogenado, porque os animais são feitos de proteínas e as plantas são feitas de carboidratos basicamente, exceto os feijões.
Esse nível de organização no planeta ele se individualiza nos hominídeos. Por alguma razão os hominídeos carregam uma capacidade de individualização diferente de uma experiência coletiva, que é muito mais importante nos invertebrados e nos primeiros vertebrados.
Eu vou começar aqui, com uma das formas mais primitivas de vida na terra e de organização.

Esse aqui é o vírus da gripe, o adenovírus, e quase todos os vírus eles são formar geométricas maravilhosas, lindas, mostrando que eles estão entre uma estrutura mineral e uma estrutura vegetal.

Aqui o adenovírus, que é o vírus da gripe, que tem basicamente uma composição de RNA ou DNA e uma cápsula. É muito semelhante ao núcleo de uma célula. Não é exatamente igual, mas ele tem um material genético e uma cápsula. Essa cápsula, ela tem complexidade, a gente está agora acompanhando o coronavírus que tem aquelas espículas todas, fazendo com que ele se pareça com uma coroa tridimensional, por isso, é chamado de corona vírus.

Os vírus em geral são seres que dependem das células vivas para se reproduzir, porque eles carregam uma vida muito primitiva, em simbiose, equilibrada em geral com as plantas, os animais e os seres humanos. O desequilíbrio acontece, como a gente está vendo agora na pandemia, quando o ser humano destrói grande parte das florestas e começa a matar os animais selvagens. Nesse caso temos as zoonoses, como vemos nesse momento da humanidade. Normalmente, porém, os vírus vivem em perfeita harmonia.
O vírus é uma primeira forma muito simples de vida, que alguns discutem se tem ou não tem vida, mas carrega uma coisa fundamental: memória. A memória do vírus é cristalizada na forma de RNA e DNA, então tem memória e tem características minerais.
Quando a gente entra no universo das bactérias é completamente diferente. A bactéria é um bicho animado, ou seja, se movimenta, tem percepção sensorial, podendo fazer fagocitose numa direção específica da bactéria. A bactéria ela percebe uma direção e segue nessa direção da sua percepção, se movimenta.
Pode ser monogâmica, como o diplococo que é sempre um casal ou poligâmica. Quando fazemos cultura de bactérias, o que podemos perceber? Cores e movimento.

A bactéria é algo muito mais animado, ela lembra os animais, um nível mais primitivo possível. Se pensarmos nas amebas, elas já possuem uma consciência porque vão em uma determinada direção, ou seja, não se movimentam aleatoriamente. Possuem uma percepção, como se fosse um primórdio de um sistema nervoso periférico químico, que ainda não tem células, mas tem receptores químicos para o ambiente.
Isso seria o início da vida protozoa, protozoária, como uma forma bem primitiva.
Então, essas características, que vão fazer parte da ameba até o ser humano: percepção e movimento. Ao longo da evolução a invaginação, que é a criação de espaços internos a partir de uma superfície, de uma membrana. Quando invagina, ou seja, quando forma um espaço interno, aí a gente tem o espaço possível de uma consciência interna, separada da consciência externa. A partir disso vai se organizando aos poucos um sistema neuro-endócrino-muscular que é externo e vai se transformando em sistema nervoso interno. O sistema exócrino vira sistema endócrino e a musculatura vai se criando.

Então, esses aqui são os primeiros animais do planeta terra, os trilobitas, bem complexas, que surgiram junto com as algas a 4,6 bilhões de anos atrás, mostrando que a vida se organizou de uma forma muito complexa. Lembra quase um camarão, só que pequeno.
E aqui é uma foto de microscopia eletrônica de varredura de uma trilobita.
É surpreendente isso, a explosão do Cambriano. O Cambriano é uma fase da terra a 550 milhões de anos para começar se estrutura melhor. E ao longo dessa estrutura toda dos animais, vão se estruturando as esponjas, os cnidários, os platelmintos, os anelídeos enfim tudo, até chegar o momento que se cria o eixo central do corpo humano, que é a notocorda, que vai diferenciar tudo que era antes e tudo que era depois – o eixo central.

A primeira coluna vertebral dos animais é chamada notocorda e tudo que era antes é chamado invertebrado e tudo que é depois é chamado vertebrado. Então seria um grande salto evolutivo os cordados, depois o segundo grande salto evolutivo, a gente vai ver, que é quando a gente passa do cefalocordado, os peixes, anfíbios, répteis, aves para os mamíferos. Os mamíferos significam um grande salto evolutivo porque mamífero significa “aquele que sente”. Porque o sistema límbico, que é o sistema nervoso dos sentimentos, nasce com os mamíferos.
O mamífero começa eliminar ocitocina, que é o hormônio do amor, para ejetar leite, para parir o filho e para criar relações de afeto. Então quem cria o afeto não é o ser humano, são os mamíferos. Esse é um dos motivos dos seres humanos amarem os mamíferos, cachorro, gato, em geral. Entre os mamíferos, os insetívoros, as baleias, os morcegos, os carnívoros, os ungulados, surge um outro salto evolutivo que são os primatas, que desenvolvem um novo cérebro: o córtex cerebral que está acima do sistema límbico. Então tudo muda, temos os grandes macacos e depois a passagem até o ser humano.
Então a primeira coisa que eu queria trazer, essa análise aqui é muito interessante, mostrando que todas as fases do desenvolvimento embrionário do ser humano, gametas, blástula, gástrula, o mesoderma, dendoembrião, a formação da metameria que é a segmentação do corpo, o saco vitelino, a invaginação do saco vitelino, saco amniótico que é a bolsa de líquido amniótico e o corioalantoide eles correspondem às etapas de evolução dos animais.
No momento do parto, na verdade existem dois partos: um deles é muito celebrado, comemorado com choro, que é o das células do centro e logo depois o parto da placenta. Então, centro e periferia, essa mágica de imaginar que por alguma razão as células se comportam de forma completamente oposta. Todo esse processo não é coordenado pelos genes, porque os genes são iguais. Essa teoria de explicar a organização das células do corpo humano a partir de fora é chamada teoria da matriz extracelular, que é o que se ensina hoje nas faculdades de medicina.

Então teremos a recapitulação do primeiro nível da filogenia, comparando a giárdia, que é um protozoário, com o espermatozoide, eles são parecidos. E em termos da fase de blástula, as algas que têm duas membranas só. Que vai equivaler o que a gente vai mostrar daqui a pouco, as duas membranas que vão formar o corpo humano.

Nesta imagem abaixo, conseguimos visualizar tudo o que foi dito sobre o embrião. Esse processo divisão até formar a mórula, vai acontecendo porque somos empurrados de uma maneira muito gentil pelos cílios, muito macios, dentro da trompa ou da tuba uterina, que empurram em direção ao útero.

Durante a queda é que vai acontecer aquela primeira diferenciação, centro e periferia. Na queda também rompemos aquela ligação com a membrana do ovário, que era a zona pelúcida. Nesse sentido, é como se fosse um parto entre a primeira e a segunda semana da gravidez.

Aqui está mostrando detalhe dessa separação durante a queda do nosso corpo, a gente separa dessa membrana. E aí, ao mesmo tempo o centro, que vai formar o embrião, ele fica solto até que ele gruda numa parede. Então o que vocês estão vendo aqui é o embrião que tem escura a membrana externa, que são as células que vão formar a placenta, e a parte central ela se deslocou, ficou excêntrica, para formar o corpo humano.
Então, podemos dizer que ao final da primeira semana o germe do ser humano se forma e se diferencia do seu irmão gêmeo nutridor. Agora nessa segunda semana, esse irmão nutridor, acolhedor, protetor, irá se diferenciar quatro estruturas que são a base de desenvolvimento do corpo humano. Como se fosse a nossa família externa, essas quatro estruturas são: o saco vitelino, o saco amniótico, o alantoide e o córion.
Vale lembrar que existe um paralelo do número quatro, carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio. O Carbono tem a ver com a estrutura da matéria, é o nosso primeiro alimento, é o vitelo, é a gema do ovo no caso das aves. A matéria, tem a ver com o carbono. O oxigênio puro, tem a ver com a vida, com a água, ele está dissolvido com o hidrogênio como H2O. Isso tem a ver com o líquido amniótico, riquíssimo em oxigênio (oxigênio, não O2, o “O” da água). O nitrogênio, ele tem tudo a ver com o alantoide, que é uma estrutura que eu já vou mostrar, que é nosso primeiro rim ou bexiga, é um órgão para eliminar o nitrogênio do metabolismo. Depois a gente vai chamar de urina, que é nosso líquido nitrogenado. E por fim, o calor na matéria orgânica está ligado ao hidrogênio que faz a dupla ligação na matéria, que está ligado ao córion, que é a estrutura externa, onde vai formar o sangue.


Então nessa imagem acima, do lado direito essa cavidade é o saco vitelino, essa cavidade escura. As células em amarelo, no centro, são as células que miram para o saco vitelino, que no futuro vão ser o endoderma. O endoderma é a camada de dentro. Logo, à esquerda, em azul, o ectoderma que vai formar o tecido da consciência, o sistema nervoso.
A partir do ectoderma começa a formar uma pequena bolinha, que é o saco amniótico, depois eles vão ter um tamanho igual, e essa estrutura que sai da bola amarela é o alantoide, que vai ser nosso primeiro rim. Esse estado de equilíbrio entre essas duas esferas (ectoderma e exoderma) é muito importante da gente enxergar, porque isso vai durar pouco tempo. O líquido amniótico vai ficar muito grande, vai crescer e o saco vitelino vai ficar pequeno, fazendo com que o embrião se dobre.

Esse momento é a fase mais magra do ser humano. A gente é tão magro, vocês têm que imaginar o seguinte: imagina duas bexigas, duas bolas, que se tocam, o ser humano é apenas o contato entre as duas bexigas, as duas esferas. Só tem duas camadas de células, a camada da vida e a camada da consciência, endoderma e ectoderma, árvore da vida e árvore da consciência. E aí tudo vai se desenvolver.

Nessa imagem vemos a segmentação, formação da coluna vertebral, que é uma segmentação da notocorda, que vai formar osso e disco intervertebral, mas o osso não se forma da notocorda, ele se forma desse mesoderma ao redor que se junta.

Essas imagens são para mostrar o caminho da segmentação.

O mesoderma ao redor da notocorda segmenta e cada quatro estruturas chamadas somitos, que são pequenos corpos, formam uma vértebra. Uma vértebra é formada por quatro estruturas, duas à direita e duas à esquerda. Então é criado o exoesqueleto.


Os braços e pernas são endoesqueletos. Estão no centro do corpo, mas então começa a se formar o exoesqueleto, na cabeça, completamente o oposto do pescoço para baixo.
Quem começa a criar o exoesqueleto são os moluscos, que têm um corpo proteico mole e uma concha dura, como se fosse uma cabeça. Pensando que a concha é cálcio com CO2, é como se fosse uma expiração de CO2 petrificada. O gás carbônico, junto com o bicarbonato se separa em cálcio e CO2, forma um osso que se separa: temos a lula, o polvo, a sépia, que desenvolvem um sistema nervoso central e o olho, as conchas, que basicamente criam respiração e os caramujos, que são intestinos com aquela carapaça.


Na imagem vemos o caso dos polvos. Já existem documentários falando sobre o polvo e a demonstração de afeto que eles tem, “O Professor Polvo” um filme revolucionário. Então vejam a estrutura complexa do polvo.

Aqui a lula, um tipo de lula.
Depois temos a mudança total que é o começo dos cordados. Eles inauguram a simetria lateral direita e esquerda e a organização do corpo a partir de um eixo central.
Tem uma fase que a gente forma um ângulo para criar um pequeno cérebro, atrás, na nuca, que é chamado cerebelo. Bem no ângulo central da imagem, se forma um outro cérebro que é só para dar equilíbrio.
A partir desse cérebro e do sistema nervoso central que criamos os nossos nervos, os axônios. Existe algo muito importante entre o encéfalo, que está na cabeça e a medula espinhal, tudo se inverte. O que era direita vira esquerda, o que era esquerda vira direita, o que era fora vira dentro, o que era dentro vira fora.
Então só lembrar que o neurônio ele tem um corpo e tem os axônios. O corpo é chamado substância cinzenta e o axônio é chamado de substância branca. Dentro da medula a substância cinzenta está no centro, a branca na periferia, é como se o impulso elétrico fosse do centro para a periferia, no cérebro é o contrário. Quando uma pessoa tem um traumatismo ou um AVC (acidente vascular encefálico) do lado direito da cabeça, ela fica paralisada aonde? Do outro lado. Ou seja, a construção do corpo humano, especialmente no sistema nervoso central, mostra aquele princípio do oito (8), do infinito, em que tudo se cruza, esse cruzamento acontece no pescoço, numa região do tronco.
Nessa imagem acima, do mesmo jeito que a árvore da vida, vemos que o intestino forma brotos. A árvore do conhecimento, que é o sistema nervoso central, também produz brotos, um deles são os olhos. Aqui eu estou mostrando como é que forma o olho. O Olho nasce da evaginação, é como se fosse uma saída lateral, que vai encontrar com a pele da face e aí a pele da face vai reagir e vai mandar também um impulso para dentro, e aquilo que era uma bola, que era o olho, ela encolhe para dentro e forma um cálice. Esse cálice é a retina e o que ficou da pele da lateral do rosto para dentro do olho a gente chama de cristalino. Então é como se fosse um Tai-Chi, vai um para um lado e depois vem o outro e reage e vai para o outro. Então, só para mostrar como essa árvore do conhecimento também forma os órgãos.
Essa imagem seguinte nos mostra uma grande diferenciação no sistema nervoso que se relaciona com dois tipos de consciência e a dois tipos de músculos. O músculo das vísceras, é a musculatura lisa, que não tem consciência, se move de forma autônoma. Depois tem a musculatura a somática, que se liga ao sistema nervoso somático, enquanto a outra ao sistema nervoso visceral. Só existe um lugar do corpo humano que se tem a fusão completa dos dois tipos de músculo, integrando o inconsciente da musculatura lisa, com o consciente da musculatura voluntária, o coração. O coração é o único músculo no corpo humano que é uma fusão perfeita dos dois, o músculo cardíaco.
O sistema nervoso central se cria agora nos peixes, então começa a se criar um esqueleto dentro, endoesqueleto. O líquido amniótico dos peixes é o mar ou o lago ou um rio, ainda não separou. Ele tem saco vitelino o peixe, mas ele não tem saco amniótico. Porque o saco amniótico é a interiorização do mar, do rio ou de um lago. A percepção no peixe, ainda é generalizada, ele ouve pela pele, sente gustação, sente sabor pela pele. No começo todos os peixes eles não são duros, eles são moles, a gente chama de cartilaginoso. Caso do tubarão que é super antigo. Aos poucos, do mesmo jeito que a gente ossifica a cartilagem, ao longo da ontogênese, na filogênese o peixe cartilaginoso ossifica ao longo de milhões de anos, os ossos. Esse processo é como se fosse muito próximo do ser humano, uma notocorda, um eixo.
Depois entramos no mundo da saída da água, Anfíbio quer dizer “duas vidas”, o mundo da água e o mundo da terra. A metamorfose acontece por causa da tireoide. Se você tirar a tireoide do girino ele nunca vai virar sapo. A tireoide é o grande órgão da metamorfose e que é geradora de consciência.
Depois vem o ferro, o sangue começa a ficar vermelho. E essa é uma frase muito bonita do Rudolf Steiner: “o ferro ajuda a despertar o corpo protéico de seu sono vegetativo, abrindo-o às forças da consciência”.
Entramos agora no domínio da terra, os sauros, que são os dinossauros e os répteis. Começa a existir um processo de descida do rim e uma reorganização estrutural do corpo.
Depois nascem os seres que sugam leite. Então mamíferos podem ser definidos como lactentes que sentem, ligados ao desenvolvimento do sentimento.
Então começam a se formar estruturas como a glândula pineal e o desenvolvimento dos três cérebros: reptiliano, límbico e cortical.
O que tem em nosso cérebro diferente dos primatas? Só o lobo pré-frontal, que aumenta a capacidade de percepção do tempo e da realidade.
Se a gente compara o braço ou a perna de um cavalo com o ser humano, existe uma inversão de proporções estruturais ao longo da evolução.
E a grande pergunta para o pensamento: ao longo da evolução dos hominídeos houve uma gracilização da face, redução de pelos, redução de olfato e aumento do crânio.
Resumindo: três características humanas principais são o rejuvenescimento da cabeça, a inversão de proporções corporais e o aumento da complexidade cognitiva.
Quando nós nascemos, em doze meses todo esse caminho evolutivo é recapitulado até chegar ao momento em que surge o eu, como expressão de autopercepção.
Então lembrar que nós somos répteis, mamíferos e primatas ao mesmo tempo, integrando essas dimensões no desenvolvimento humano.
Capítulos da Série 40 Lições
- Série 40 Lições – Aula 01
- Série 40 Lições – Aula 02
- Série 40 Lições – Aula 03
- Série 40 Lições – Aula 04
- Série 40 Lições – Aula 05
- Série 40 Lições – Aula 06
- Série 40 Lições – Aula 07
- Série 40 Lições – Aula 08
- Série 40 Lições – Aula 09
- Série 40 Lições – Aula 10
- Série 40 Lições – Aula 11
- Série 40 Lições – Aula 12
- Série 40 Lições – Aula 13
- Série 40 Lições – Aula 16
- Série 40 Lições – Aula 15
- Série 40 Lições – Aula 14
- Série 40 Lições – Aula 17
- Série 40 Lições – Aula 18
- Série 40 Lições – Aula 19
- Série 40 Lições – Aula 20
- Série 40 Lições – Aula 22
- Série 40 Lições – Aula 23
- Série 40 Lições – Aula 24
- Série 40 Lições – Aula 25
- Série 40 Lições – Aula 26
- Série 40 Lições – Aula 27
- Série 40 Lições – Aula 28
- Série 40 Lições – Aula 33
- Série 40 Lições – Aula 34
- Série 40 Lições – Aula 35
- Série 40 Lições – Aula 21
- Série 40 Lições – Aula 32
- Série 40 Lições – Aula 31
- Série 40 Lições – Aula 30
- Série 40 Lições – Aula 29
- Série 40 Lições – Aula 36
- Série 40 Lições – Aula 37
- Série 40 Lições – Aula 38
- Série 40 Lições – Aula 39
- Série 40 Lições – Aula 40
